segunda-feira, 16 de novembro de 2015

A lei do constrangimento


 Olimpio Guarany

A presidente Dilma Roussef sancionou, essa semana, a lei do Direito de Resposta. Particularmente eu temia muito quando via o senador Roberto Requião, PMDB-PR, bradar contra a imprensa, no senado, justamente ele o autor da lei. A presidente teve o bom senso de vetar o parágrafo que afirmava que o ofendido poderia requerer o direito de resposta ou retificação pessoalmente nos veículos de rádio e televisão. Imagine um político, do tipo Requião, entrando num estúdio de TV ou Rádio com um mandado judicial na mão para ter o direito de resposta. Você já imaginou o tamanho do constrangimento? Bem, mas vamos lá.

As mazelas da lei

Uma delas é o fato de que o tal direito seja concedido por um único juiz, enquanto a contestação por parte do veiculo de imprensa deve ser aprovada por um colegiado. Não escrevo esse artigo por ser contra o direito de resposta. De minha parte não há objeção, mas quero me ater ao artigo 10 que determina a análise do recurso por um colegiado, que, convenhamos, não tem a mesma celeridade para conceder uma liminar que um juiz em decisão monocrática. Penso que há dois pesos e duas medidas nesse artigo. Pode haver um lapso de tempo grande entre a decisão favorável ao direito de resposta e o exame do recurso. Não sou jurista, mas penso que a empresa pode ganhar um recurso depois de ter veiculado a resposta. E aí? Quem paga o prejuízo moral do desmentido?

Outro artigo estapafúrdio é o que prevê  que, mesmo diante da retificação espontânea , o que se acha ofendido ainda poderá mover ações criminais contra os veículos de comunicação. Outra que eu ouvi do Daniel Slavieiro, presidente da Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV – ABERT, diz respeito ao que ele chamou de "objetivos ocultos de intimidação”. A lei permite que o processo tramite no local de residência do queixoso, ao invés do endereço fiscal da empresa acusada. Está claro que essa brecha acaba autorizando que determinadas instituições promovam, de má-fé, dezenas de ações contra jornalistas e veículos de comunicação em diferentes cidades do país. E daí como se defender, em locais distantes, num pais de dimensões continentais como o nosso?

O que diz a lei

Para os efeitos dessa nova lei, é considerada matéria “qualquer reportagem, nota ou notícia divulgada por veículo de comunicação social, independentemente do meio ou plataforma de distribuição, publicação ou transmissão que utilize, cujo conteúdo atente, ainda que por equívoco de informação, contra a honra, a intimidade, a reputação, o conceito, o nome, a marca ou a imagem de pessoa física ou jurídica identificada ou passível de identificação”.
Se você recorrer à constituição brasileira vai ver que há mais prudência quando trata desse assunto.
Eu não tenho dúvida de que essa lei veio para estabelecer um constrangimento à imprensa livre. Esquecem os senhores legisladores que o ato criminoso é de quem pratica o crime e não de quem dá notícia. Aliás, senhores, a notícia não pertence aos donos da rádio, da TV , do jornal, nem do jornalista, ela pertence ao povo que tem o absoluto direito de ser informado. Se os senhores políticos inescrupulosos, corruptos, que trabalham contra o país, não querem ser notícia, que parem de praticar desmandos com a coisa pública.
A minha esperança está na lei maior, a constituição, e tenho absoluta crença de que ao chegar ao Supremo essa lei do constrangimento ora sancionada será derrubada.
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Olimpio Guarany é jornalista, economista, publicitário e professor universitário

As quantos do Blog

Cachimbo da paz 
O governador Waldez Góes e o presidente da Assembléia, Moiséis Souza, sentaram à mesa na última quinta. É o primeiro gesto em busca de uma solução negociada para o impasse criado a partir da antecipação de duodécimo ao legislativo.
Encontro de Waldez Góes e Moiséis Souza (arquivo internet)
Pelo pior
Para quem estava torcendo pelo pior, especialmente a oposição, foi o que se chama por aqui de banho de água fria. Em política uma saída negociada é bem mais barato. Não sobrando para o povo pagar, melhor ainda.

Ajustando as contas
Por causa desse imbróglio da antecipação dos repasses e o consequente esvaziamento do caixaa, a Assembléia Legislativa fez um pacote de demissões - falam em 1.000 -embora a nota official da instituição não cite a quantidade.


Perpétuo Socorro 
Não sei de quem é a competência, mas sei que o Poder Público precisa agir, imediatamente, para conter os estragos que o rio Amazonas vem causando na orla do Perpétuo Socorro. Uma boa parte foi destruída. E, do jeito que está, vai requerer uma obra de engenharia das mais eficazes, sob pena de não durar e a situação piorar, ainda mais.






Sucessão municipal
O fato de não ter decidido para qual partido vai, beneficia o prefeito Clécio Luis na costura por apoios. Além do PC do B, do PROS e o DEM, agora o alcaide conta com o PSDB. Há quem diga que o Clécio pode virar um tucano de bico longo. Será?

Aviso aos navegantes
Termina dia 2 de abril  de 2016 o prazo para quem pretende disputar a algum cargo político nas eleições do próximo ano, ou seja, seis meses antes da data das eleições. Pela regra anterior, para disputar uma eleição, era necessário estar filiado a um partido político um ano antes do pleito.

Previdência municipal (
De tanto badalar que o PPS terá candidatura própria - o nome forte de lá é o ex-deputado Jorge Amanajás - Allan Sales perdeu o controle do Instituto de Previdência do Municipio. Resultado da composição com os tucanos, Bruno Santos, irmão do ex-deputado Luiz Carlos, presidente do PSDB-AP, já assumiu.



Sem praia 

Lembram daquele projeto de José Sarney de fazer uma praia em frente a Macapá? O senador até chegou alocar recursos no orçamento da União, mas ninguém teve coragem de tocar o projeto, nem governo nem prefeitura. Eu soube que dos últimos recursos colocados por Sarney no orçamento, o prefeito Clécio transferiu para obras de recuperação de escolas. Convenhamos, há outras fontes para isso.

sábado, 31 de outubro de 2015

Ponto de Vista


A Expofeira como indutor da economia

Olimpio Guarany


A partir do fim da segunda guerra mundial praticamente caiu o liberalismo, mola propulsora do capitalismo da época, que, aliás, foi combatido por John Maynard Keynes. Em 1936, o economista britânico publicou uma de suas principais obras: a Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda para discutir o papel do estado na economia e dos mecanismos que poderiam ser usados para reativá-la nas condições de depressão. À época, o mundo enfrentava um período de colapso do capitalismo, provocado pela quebra da bolsa de Nova York em 1929 o acontecimento econômico mais emblemático do século XX.

Mas o que Kaynes tem a ver com a Expofeira do Amapá?

Muito. Estamos vivendo um momento de crise, com a queda do nível de emprego, com a retração da atividade econômica e vendo o dinheiro desaparecer de circulação. É nessas horas que vinga a tese de Keynes. O estado precisa intervir na economia e criar mecanismos para evitar o colapso. O Estado é o único detentor da ferramenta capaz de mudar esse quadro. É nessa hora que a Expofeira entra como mobilizador da economia. Em um só lugar onde pode-se oferecer oportunidades de uma gama imensa de negócios, pequenos e grandes.
Entendo que a Expofeira deve ser assim mesmo, um grande espaço para atividades diversificadas, incluído o modelo de arraial, combatido por alguns,  para não ficar resumido só ao segmento primário. Nesse espaço devem estar contemplados o comércio e a indústria, dois outros setores da economia,  capazes de promover grande movimentação, criando uma rede de micro negócios, durante o evento, que resultam em renda, até para quem não tem uma atividade fixa ou está fora do mercado.

O setor primário

Ao instante em que a Expofeira vira  o seu foco para a produção de alimentos e produção florestal ela passa a criar um leque de oportunidades e alternativas para destravar esse setor da economia do estado. Não precisa ir buscar na China o exemplo de desenvolvimento a partir da agricultura familiar. Aqui mesmo no Brasil, a agricultura familiar é responsável por um terço do valor bruto da produção agropecuária. Oferece emprego a cerca de 12 milhões de brasileiros. Ocupa cerca de 75 % da mão de obra empregada no campo. São homens e mulheres que produzem a ampla maioria dos alimentos consumidos no país.

Então? Por que no Amapá não pode ser assim?

Tive a informação de que na Expofeira  há um espaço onde serão apresentados modelos para produção agrícola e florestal.  Pode estar ai um indicativo a para esse setor, ainda atrasado da nossa economia. O setor primário do Amapá ainda se utiliza de um modelo arcaico, por isso é tão dependente  o que nos faz um grande importador de alimentos de outras unidades da federação.

São nesses ambientes, como se vê Brasil afora, que os pequenos produtores ou candidatos a produtores passam a conhecer as técnicas para melhorar o cultivo de produtos de subsistência, por exemplo; os meios de buscar créditos e metodologias inovadoras de produção.

Para justificar minha tese, sob a ótica econômica, teria que ter muito espaço para relacionar os diversos motivos e meios para melhorar, principalmente o setor primário, mas havemos de convir que a Expofeira é, sem dúvida, um ponto de convergência e um inquestionável indutor da nossa incipiente economia.
E ai? Num estado pobre como o nosso, quem seria capaz de promover esse momento de oportunidades senão o estado? Sem a intervenção do estado com sua capacidade de investimento, definitivamente, isso não seria possível.
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Olimpio Guarany é jornalista, economista, publicitário e professor universitário

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NOTAS DA SEMANA



Desastre

Fazia um tempo que eu não dava umas voltinhas em Santana. Aliás quero, antes de mais nada abraçar aquela gente sempre hospitaleira. Quando estou em Santana até parece que sou de lá, tamanho o carinho do povo comigo. Mas, quero falar do abandono, do descuido, da falta de zêlo, da falta de amor do prefeito Robson Rocha para com aquele municipio. Um descalabro.

Abandono

Estive em alguns bairros, porém fiquei mais tempo no Elesbão. O povo de lá está muito aborrecido com o prefeito. Parece que aquilo nem pertence a Santana, tamanho o abandono. Ei Robson, acorda! Vai trabalhar!
 Dá impressão de total abandono.

Saindo faísca  

Com a aproximarão das eleições na OAB, o ventilador foi ligado e daí saiu brasa pra todo lado. Essa semana nas redes sociais o candidato Ulisses Trasel apanhou mais do que mulher de malandro. O grupo contrário espalhou uma decisão judicial em que ele foi condenado por agredir sua ex-esposa. Bem, daí  você pode maginar como foi o bate-rebate pelo twitter, facebook…

Bandido bom, é bandido…

Não foi bem isso que o sargento Adriano falou no programa tribuna da Cidade, essa semana. Mas, nas entrelinhas entendi que sim, quando ele comentava sobre a liberarão da venda de armas conforme projeto que tramita no Congresso. Não foi claro, mas deixou a entender que á contra a liberação da venda de armas. “O sonho de consumo desses vagabundos é a arma, e se a pessoa de bem não tiver cuidado pode virar vitima”, disse.

Sucessão municipal 

Gilvam Borges (PMDB) deixou a Secretaria Especial de Brasilia para ficar mais tempo aqui na base. Não é por nada, não. Ele é candidatissimo a prefeitura de Macapá. Por ter sido homem de proa da campanha de Waldez, marinheiro de primeira hora, vai querer, certamente, o apoio do governador.









Como é que é?

Um passarinho me contou, ontem pela manhã, que tem um deputado estadual, recém eleito, que anda decepcionado com a politica. Diz que o jogo é pesado  demais e que estaria arrependido de ter entrado nessa. Por que será? É como dizia o baiano ACM, “política é pra quem tem estômago…

Imprensa marrom

Fiquei impressionado com a postura da imprensa brasileira essa semana não deram o menor destaque para a violência praticada pelo MTST contra  os meninos dos movimentos "Brasil Livre" e "Vem Pra rua” que pedem o impeachment de Dilma Roussef.

Imprensa marrom II

Depois que o desmiolado e desprovido intelectualmente Sibá Machado (PT-AC) se esgoelou na tribuna, ameaçando os meninos do" MBL"  e   "Vem pra Rua”,  eis que o Sr. Guilherme Boulos, um riquinho que resolveu abraçar a causa dos sem teto e usá-los como massa de manobra, tratou de arregimentar seu grupo para agredir os pacifistas. Pacifista mesmo. Eles nem reagiram e os pau-mandados de Boulos acabaram indo embora, derrotados. Mas, e a violência que eles praticaram? Ninguém falou.
 

Arraial do Pavulagem  
Que boa noticia. Terça feira, 3, esse tradicional grupo de Belém-PA estará entre nós para uma apresentação no projeto Botequim do SESC. O repertório é ótimo vai do xote ao carimbó, passando pelo merengue e toada de boi. Imperdivel, até porque é de graça.

O segredo da pessoa feliz - Artigo

Dom Pedro José Conti Bispo de Macapá Muito anos atrás, num lugar que pode ser o nosso, também, vivia uma pessoa muito feliz. Cert...